Hoje vamos tocar em um assunto que costuma gerar polêmica no universo do Pilates: a rivalidade entre os profissionais das vertentes clássica e contemporânea do método.
De um lado, instrutores do Pilates clássico veem no contemporâneo uma forma distorcida e muitas vezes comercial do método original. Do outro, há quem considere o clássico engessado e pouco adaptável às demandas atuais. Mas onde está, afinal, a raiz dessa disputa?
O Método Pilates foi criado por Joseph Pilates no início do século XX com um propósito claro: promover o equilíbrio entre corpo, mente e espírito através de uma sequência estruturada, baseada em princípios sólidos. No Brasil, sua prática foi inicialmente autorizada apenas para fisioterapeutas e profissionais de educação física, o que, à época, garantia um nível mínimo de entendimento técnico.

Com o passar dos anos e a popularização do método, surgiram inúmeras escolas e cursos de formação — nem todos comprometidos com a essência do Pilates. Alguns optaram por um viés mais terapêutico, outros buscaram dinamismo e adaptações com atividades funcionais, muitas vezes diluindo o método original para caber em outras abordagens.
Enquanto o Pilates clássico preserva com fidelidade o legado deixado por Joseph — respeitando conceitos, repertório, sequências e didática —, o contemporâneo abriu espaço para uma liberdade de criação tão grande que, em muitos casos, o método praticamente desaparece.

Na prática, o que vemos é preocupante. Estou à frente da Delta 7 Pilates há 7 anos, e posso afirmar com propriedade: grande parte dos candidatos a instrutores sequer compreendem os fundamentos básicos do método. Muitos atuam no “piloto automático”, acreditando que ser criativo e inventar exercícios a cada aula basta para ser um bom profissional. Confundem conhecer músculos com saber aplicar o método. Reproduzem movimentos sem consciência, sem técnica e, muitas vezes, sem segurança.
Não se trata de invalidar uma vertente ou outra. O ponto é: independente do caminho escolhido, é preciso ter profundidade. O verdadeiro Pilates exige estudo contínuo, treino, comprometimento, disciplina e, acima de tudo, respeito ao legado de Joseph. Só assim é possível entregar aulas seguras, eficazes e que realmente façam sentido para o aluno.
Fica aqui o alerta: se você quer ensinar ou aprender Pilates, busque boas referências. A essência do método não está na aparência dos movimentos, mas no propósito por trás de cada um deles.

